O Bangko Sentral ng Ngipinas (BSP) está reforçando a supervisão dos provedores de serviços de ativos virtuais licenciados que suportam moedas de privacidade sob um novo conjunto de regulamentos criptográficos, com o objetivo de mitigar os riscos de lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e transações não rastreáveis.
A mudança se aplica aos Provedores de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) supervisionados pelo BSP, marcando o próximo passo nos esforços das Filipinas para submeter o mercado de ativos digitais aos mesmos padrões regulatórios que os serviços de remessas e pagamentos transfronteiriços.
Moedas de privacidade enfrentam novos limites
As Filipinas estão a reforçar o controlo sobre ativos digitais altamente anónimos, com as moedas de privacidade a tornarem-se o grupo mais escrutinado devido à dificuldade de cumprir os requisitos dos reguladores para verificação de identidade e monitorização de transações. Para VASPs licenciados pelo BSPo risco reside no fato de que esses tokens podem ocultar o remetente, o destinatário, o valor da transação ou o histórico de remessas.
O grupo mencionado de moedas de privacidade inclui Monero (XMR), Zcash (ZEC), Dash e ativos que utilizam tecnologias de aprimoramento de privacidade. Esta medida não visa todo o mercado de criptografia, mas se concentra na restrição de tokens não rastreáveis dentro do sistema de serviço licenciado.
O BSP há muito que alerta que os activos virtuais podem facilitar transferências de dinheiro mais rápidas e baratas, mas apresentam riscos devido ao seu elevado grau de anonimato, elevadas velocidades de transacção, volatilidade dos preços e acessibilidade global.
Por que os VASPs devem se importar
Este movimento é notável porque as Filipinas são um dos principais mercados de criptografia da região. A Chainalysis classificou o país em 8º lugar no Índice Global de Adoção de Criptomoedas de 2024, enquanto as remessas pessoais para as Filipinas atingiram aproximadamente US$ 38,34 bilhões em 2024, equivalente a 8,3% do PIB.
Para os usuários, a mudança mais visível é que a capacidade de comprar e vender tokens como Monero ou Zcash em bolsas licenciadas pode ser reduzida. Isto não eliminará a demanda por moedas de privacidade, mas poderá expulsar uma parte das transações dos canais monitorados.
Para empresas de criptografia, uma licença nas Filipinas não é mais apenas uma história de capital, KYC ou relatórios. A forma como os VASPs selecionam tokens para listagem também enfrentará um escrutínio mais rigoroso, especialmente em relação a ativos não rastreáveis.
Os Limites de Conformidade
O BSP estabeleceu limites de conformidade específicos para VASPs. De acordo com Circular nº 1.108essas entidades devem realizar a devida diligência do cliente para transações de ₱ 5.000 ou mais. Para transferências de ativos virtuais de ₱50.000 ou mais, os VASPs devem coletar e reter informações sobre o remetente e o destinatário, semelhante aos requisitos de “regra de viagem” em transferências eletrônicas internacionais. Para pagamentos superiores a ₱500.000, o BSP exige diligência aprimorada e só permite pagamentos por cheque, transferência direta ou transferência de conta para conta.
Esses limites demonstram por que as moedas de privacidade se tornaram um ponto sensível. Se um token ocultar endereços de carteira, valores de transações ou links entre transações, será difícil para os VASPs cumprirem suas obrigações de verificar fundos, identificar beneficiários e detectar transações suspeitas.
Impacto nas plataformas locais
Em 31 de maio de 2026, o BSP registrou 11 VASPs em sua lista publicada, incluindo nomes notáveis como Coins.ph/Betur, Maya Filipinas, PDAX, GoTyme Bank e UnionBank. Este é o grupo diretamente afetado se restrições às moedas de privacidade forem aplicadas às atividades de listagem, custódia ou transferência de ativos.
Para Monero ou Zcash, o impacto nos preços globais pode não ser significativo porque as Filipinas representam apenas uma pequena fração da liquidez comercial destes tokens. Mas para o mercado interno, esta mudança poderia forçar as plataformas licenciadas a rever as suas listas de tokens, políticas de custódia e procedimentos de monitorização de transações.
Monero e Zcash também não são idênticos em seu design de privacidade. O Zcash permite transações transparentes e transações protegidas, enquanto o Monero oculta por padrão mais informações, incluindo o remetente, o destinatário e o valor. Essa diferença pode afetar a forma como cada token é avaliado, embora, em conformidade, eles ainda sejam normalmente agrupados em ativos com anonimato aprimorado.
Contexto Regulatório
A segmentação de moedas de privacidade está alinhada com a forma como as Filipinas regulamentam a criptografia, já que o país se concentra em controlar serviços que conectam usuários com moeda fiduciária e ativos digitais, em vez de tratar todo o mercado como um único grupo. Desde 2024, as autoridades filipinas também aumentaram a pressão sobre plataformas criptográficas estrangeiras não registradas, destacadas pelo pedido da SEC para bloquear a Binance por fornecer serviços a usuários locais sem uma licença adequada.
Dentro desta estrutura, o BSP concentra-se em VASPs regulamentados, enquanto a SEC trata de questões relacionadas a ofertas de valores mobiliários, produtos de investimento e plataformas não registradas. Com as moedas de privacidade, o foco muda para o risco de cada ativo específico na lista de listagem, e não apenas se a plataforma possui uma licença.
O que assistir a seguir
A extensão do impacto dependerá dos prazos de conformidade e de como o BSP define as moedas de privacidade nas suas diretrizes de implementação. Se o escopo visar apenas tokens anônimos por padrão, o Monero poderá estar entre os mais claramente afetados. Se a definição for mais ampla, os ativos com características de transação protegida ou combinação integrada também poderão ser revistos.
Os primeiros sinais práticos virão de anúncios de fechamento de capital ou restrições comerciais por parte de VASPs nacionais. A seguir virá a reacção dos utilizadores, a mudança na liquidez e o potencial para as autoridades continuarem a pressionar plataformas offshore não registadas.

















